sexta-feira, 8 de julho de 2011

24 horas

Passei grande parte do dia chorando, sentindo profundamente a dor do abandono.

Eu e meu irmão estamos aqui na minha casa, tentando saber o que será de nós (principalmente dele, que ainda mora na casa dos meus pais) depois do avalanche de absurdos do meu pai. No post anterior, eu nem me atentei a contar sobre a relação delicada que ele e meu irmão, de 19 anos, tem. Eu e minha mãe passamos grande parte do nosso tempo tentando mediar uma situação que nunca foi boa.

Não vou entrar nessa situação pois não pretendo expor meu irmão com uma história que só pertence a ele.

A dor física da perda é real. Nem vou me apegar ao meu peito pois pode parecer bobagem piegas; meu rim doeu o dia todo e meu estômago esteve prestes a ter uma crise gástrica. As palavras horrorosas dele ficaram soando no meu ouvido, o dedo em histe no meu rosto, os gritos, o choro da minha mãe, o meu coração saindo pela boca. Durante todo o dia eu sentia meu coração dando disparadas sem ter razão, suspiros cortados de choro, sustos sem ter o pq.

As experiências de um homossexual dentro de casa podem ser devastadoras. Eu tenho meus amigos, meu irmão, minha mãe e minha noiva que me ajudam todos os dias a lidar com a rejeição do homem que mais amei na vida. A falta do meu pai é dilacerante. Ela sussita em mim o que há de pior nos meus sentimentos, e esses são adormecidos pelo amor que eu tenho dentro da minha casa. A rejeição da família é responsável por 95% dos suicídios entre gays e lésbicas, que já tem, mediante a situação de suas vidas, mais facilidade de desenvolver doenças como esquizofrenia e depressão.

Eu sinto uma coisinha mole aqui dentro. É como se nada sólido mais houvesse. Meu pai sempre teve o dom de me fazer sentir, as maiores alegrias e as maiores tristezas. Ele me conhece como ninguém, e estamos ligados por alguma coisa que nem eu e nem ele sabemos explicar.

É como eu acabei de dizer prum amigo meu: "por mais que eu queira, nunca conseguirei odia-lo".

Agora, são 1h56 do dia 09 de julho. Já fazem 6 horas que eu não choro. Algumas coisas passam a ser esquecidas pelo meu cérebro, que tem o mágico poder de apagar as coisas que me fazem muito mal. Mas alguma coisa falta aqui, e com certeza é ele.

Um comentário:

  1. li este e os últimos posts e putaquepariu, forte carga emocional, quase chorei junto. força aí pra ti. (fofolete)

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