quarta-feira, 20 de julho de 2011

Alguns Sonhos Indevidos

Anteontem eu tive um sonho.

Péssimo a gente não ter a condição de escolher os nossos sonhos. Um vez, quando eu era criança, assintindo 'O Mundo de Beakman', ele ensinou como sonhar com o que vc deseja: só pensar muito, muito mesmo, no que vc quer sonhar, e o cérebro ficaria 'ligado' a essa imagem, fazendo com que vc sonhasse com ela. Eu, que nunca fui uma criança com muitas paixões platônicas, sempre sonhava com um novo Kinder Ovo que meu pai poderia me trazer no dia seguinte.

Mas, na verdade, isso nunca funcionou muito comigo.

Eu sonhei que meu pai me abraçava, dizia que tudo ia ficar bem e que nós dois, juntos, íamos superar tudo, sem mais ofensas. Acordei. Meu estômago doía, meu peito doía, uma dor muito parecida com o dia depois da briga. Me senti tão derrotada e tão ofendida quanto naquela sexta.

Sonhos que, na verdade, não ajudam em nada.

Não ando muito bem desde que isso aconteceu. Não há um momento em que eu não pense nele e o quanto deve estar sofrendo; o quanto eu nunca desejei faze-lo sofrer, muito pelo contrário, eu tinha pavor em decepciona-lo e até tive que fazer terapia para entender os meus desejos e viver a minha vida, e não a vida que ele poderia querer pra mim, caso ele quisesse. Meu pai nunca foi opressor nesse sentido, sempre me deixou livre para viver a minha vida como eu queria, a única vez que ele se opôs, aconteceu a maior merda do mundo.

A ausência do meu pai é a maior dor do mundo pra mim. Por que ele mentiu quando me prometeu amor incondicional, irrestrito, sem nunca me cobrar nada? Ele amava uma filha heterossexual, que prometia pra ele netos e um casamento que, foda-se feliz ou não, mas que representasse a continuidade do que ele entende como família. E não entende como eu, menina criada como menina, com um 'exemplo heterossexual', com uma família formada, com amor e atenção, possa ter me apaixonado e amado uma outra mulher?

Peço que, um dia, essa dor cesse. Pra mim, é felicidade está em encontrar essa tranquilidade com meu pai. Torço todos os dias para que isso aconteça o mais rápido possível. Me sinto devastada por dentro. Tento não chorar sempre, tento não postar essas coisas nesse blog, que tá ficando cada dia mais choroso e lamentoso...rs. Mas é o único lugar que posso dizer, sempre e irrestrito, que sinto morrendo a cada dia pela falta do meu pai.

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