sábado, 9 de julho de 2011

Sobre Como Esquecer

Estou entrando em uma fase da minha vida que todo mundo chama de transição. Vou oficializar a minha relação com minha noiva, vamos mudar de casa, de cidade, de planos, vamos adotar dois bebês (nossas gatinhas Syl e Beatrice) e tudo se coloca de forma tão nova pra mim. Sinto-me tão ansiosa para entrar nessa fase, onde minha família começa a tomar corpo e vida. Tudo o que uma garota sempre sonha é não ser sozinha. Isso, com certeza, eu já conquistei.

Hoje, conversando com amigas sobre a situação com meu pai, eu percebo que quanto mais eu falo, mais eu consigo olhar essa situação com racionalidade. Percebo também a imensidão que isso tem de importância e do quanto o meu trauma está mais vivo do que nunca, por isso flashes da quinta fatídica ficam passando a todo o momento na minha cabeça. Minha indignação vai se tranformando em mágoa. Não sei mais se tenho raiva ou tristeza, se esse misto de sentimentos me faz bem ou mal, se vai passar... sei que esses sentimentos não me deixam viver verdadeiramente todas essas mudanças tão incríveis que vou passar.

Seria mentira se eu dissesse que estou completamente feliz, e me sinto completamente injusta com a Cibele. Ela é a melhor coisa que aconteceu na minha vida, o sentimento mais lindo e o maior amor do mundo. Ela me aceita, com todos os meus defeitos e minhas chatices, minhas manias e bagunças. E eu a amo tanto, que não acho justo não estar plenamente feliz com o andamento das coisas. E não é, absolutamente, nada em relação ao nosso relacionamento. Sou eu e a minha necessidade máxima de aprovação da figura paterna, somente curável na terapia.

Como esquecer uma vida feliz ao lado de alguém que, simplesmente, não te quer mais? Como entender e perdoar bravamente ofensas, calúnias, xingos e ódio de alguém que sempre te apoiou? Como faze-lo entender que a "opção" pela homossexualidade me torna uma mazoquista, já que é mais fácil no mundo ser hétero do que gay? Não se opta pelo sofrimento, a não ser que eu optasse por ele.

Ontem, finalizando o meu dia conversando com um amigo de longa data, disse que admirava os gays assumidos e a sua coragem, mas admirava mais ainda e compreendia totalmente os que são enrustidos. Não é fácil a rejeição. Não mesmo. Sei que o sistema é responsável pela homofobia, mas será também o sistema responsável pelo frágil amor que meu pai diz que sentia por mim?

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