Hoje fazem 10 dias que não vejo meu pai.
Essa semana foi a mais terrível. Tudo aconteceu.
Olhei para mim mesma e me vi morando num apartamento que já não era mais o meu lar. O desespero de mudar dali e sair da cidade que me engolia foi mais forte e, no mesmo dia que experimentei meu vestido de noiva, liguei para a Cibele e disse a ela: vamos mudar hoje. As 19h30 tinham 6 amigos lá na Baruel me ajudando a descer todas as coisas, da geladeira a TV, de sacos de roupa a caixas de copos e garrafas. Minha mudança encheu um caminhão baú médio. Fiquei chocada com a quantidade de coisas que eu e a Cibele já temos, com menos de dois anos de relacionamento.
Aqui em Poá, as coisas são bem diferentes. A casa é pequena, tem 2 cômodos, quarto e cozinha. Um banheiro enorme, porém estreito e um quintal dos sonhos. Eu detesto mudança. Já me mudei de casa tantas vezes na minha vida que é quase uma espécie de trauma. E em todas elas, eu perdi coisas importantes que afetaram minha trajetória. Em uma delas, nunca me esqueço, perdi todos os meus brinquedos. Eu tinha 07 anos e todos os meus brinquedos foram colocados em um galpão, já que a casa era pequena demais para abriga-los, a mim e ao meu irmão, na época com 04 meses. Semanas depois, roubaram todos. Minhas bonecas, meus ursos, minha sorveteria e chocolateria, tudo foi levado. Talvez isso esteja em mim até hoje. Por isso, eu fiz questão de separar, minhas taças de cerveja, de vinho, meus copos favoritos, e embrulhar muito bem minhas garrafas de cachaça e cerveja que coleciono. Tenho pavor de perder minhas coisas.
Ao entrar na nossa casa, senti um dos maiores alívios da vida. Talvez por estar longe de Suzano e de tudo aquilo que estou abominando no momento; talvez por estar longe dos olhos e da presença do meu pai; talvez por me sentir escondida. Aqui é um bairro residencial, cheio de crianças e mães gritantes, reformas e meninos soltando pipa. Um retorno as coisas que eu sempre adorei, e que não tinha desde que minha família optou por morar perto dos centros.
Eu e a Cibele trabalhamos árduamente, sem parar, por 3 dias pra deixar a casa habitável. E neste meio, nos casamos (mas isso é razão para outro post). Pensei no meu pai sem parar nesses dias todos, como ele gostaria da casa, como ele acharia melhor e mais gostosa. Como ele me faz falta. Chorei uma vez, rapidamente, e logo me veio que não tinha tempo pra chorar, ainda tinha 17 sacolas para desfazer. Depois, a noite, um sentimento de pesar me bateu. Uma pena meu pai não reconhecer o nosso esforço de fazer as coisas melhorarem, de como nós somos comuns, de como lutamos pra ter as nossas coisas. Fiquei chateada por não ter esse reconhecimento.
Hoje, domingo, finalmente esvaziamos o apartamento. Apesar de ter deixado lá as duas (beeechas) mais amorosas e lindas do mundo, e com elas, parte do meu coração, os bons ventos da mudança sopram no Jd. Medina, em Poá. Eu e minha família estamos ansiosas para o novo começo, para a nova casa, novos vizinhos. Me sinto leve, mas ainda não plena. Ainda falta ele.
Enquanto isso, eu espero.
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