segunda-feira, 18 de julho de 2011

As Histórias

E um dia o príncipe acordou, salvou a princesa e eles foram felizes para sempre. Eis que estamos tão acostumados a este ideal medieval que às vezes nem nos damos conta do quão absurdo é este contexto.

Como diria aquela canção na voz de Fernanda Takai: “Eu queria tanto encontrar uma pessoa como eu”. Diariamente vemos filmes e novelas mostrando grandes histórias de amor entre um homem e uma mulher, todos os desafios que essa relação impõe ao casal aventureiro e o quanto ambos se amam e buscam se juntar, diariamente sofremos esta lavagem cerebral que nos impõe um padrão social extremamente medieval e cretino.

Estão tão acostumados com essa desvalorização do amor que nem se dão conta que 25% dos casamentos terminam em divórcio no Brasil de hoje, são mais de 230 mil casamentos terminando em divórcio.

Ouvi de um amigo há alguns dias a velha afirmação: “Você foi feito pra reproduzir, você e uma mulher, pronto”; Espantei-me em perceber que realmente ainda existem pessoas com tal pensamento e a cada dia que passa percebo que não são poucas e estão muito próximas de mim. Sorte a minha não me importar com a opinião alheia. Quando se decide ter uma relação com alguém do mesmo sexo, não há nada mais complicado do que, primeiro, as mudanças no conceito “relação”, pois estamos tão acostumados com aquele padrão de outrora que temos que reaprender a gostar de alguém e, depois, saber lidar com as interferências externas, pois é impossível não se pegar pensando no que as pessoas vão achar, no como seus pais vão reagir e o quanto terá que discutir consigo mesmo.

Ainda não tive uma relação homossexual de forma concreta, mas estou chegando a ela aos poucos. Qualquer dia desses hei de saber qual a reação dos meus pais, tenho a sensação que saberão que estou fazendo o que é melhor pra mim, eles sempre souberam que escolho o que acredito que me faz bem. Vejo casos em que houve surpresas sobre essas reações, por isso ainda receio este dia.

Então o máximo que posso dizer - talvez numa forma de conselho para todos – é que, acima de qualquer preferência sexual, existe algo chamado sentimento, eis o que mais deve ser levado em conta não apenas nas relações interpessoais, mas em todas as escolhas de nossa vida.

Pedro Gonçalves
Ator, Dramaturgo, Escritor e futuro Artista Visual, gaúcho provisório e por opção.

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